Rise

Chegou ao fim a série musical americana, Rise. Estrelada por Josh Radnor, a série adapta o clássico “O Despertar da Primavera”. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS.

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Mas afinal, a 1ª temporada de Rise foi boa?

A série é baseada no livro Drama High de Michael Sokolove, estrelando Josh Radnor como o protagonista Lou Mazzuchelli, baseado no professor da vida real Lou Volpe.

Se expressar nunca foi uma tarefa fácil. Há anos as pessoas vêm buscando maneiras de colocar seus sentimentos e desejos mais íntimos para fora, mas ai é que elas encontram a censura, o preconceito, a ignorância e vários outros fatores que impedem que uma simples expressão seja transmitida sem julgamento.

A arte, seja ela qual for, encontra o mesmo preconceito e julgamento que o amor, a opinião, a raça, a cor, o sexo, a política. O mundo ainda está cheio de antagonistas da liberdade. Julgar o próximo é mais comum do que sentar para entender o que se passa. Recriminar a diferença é muito mais fácil do que aceitá-la e por ai vai. Essas questões refletem a dura realidade que vivemos todos os dias. E entendam, quando levanto esses pontos não me restrinjo às minorias. Todos somos julgados em algum momento da vida, é inevitável. Corajoso é aquele que coloca para fora o seu eu interior e encara o mundo de peito aberto.

Rise trata de tudo isso através de “O Despertar da Primavera”. A série tem uma mensagem importante e quebra diversas barreiras, mas, como a base do seu público é americana, é fácil entender o porquê do precoce cancelamento após apenas uma temporada. Ouvir a verdade é difícil, as pessoas preferem viver na mentira a encarar a realidade, e é isso que traz a problemática que gira em torno dos dez episódios.

Josh Radnor traz um personagem amargurado por natureza, mas esperançoso e sonhador por motivação. Ele é o produto de uma sociedade que vive alienada e que se rebela buscando mudança. Por mais inconsequente e ousado que o Sr. Mazzu seja, ele é a força motriz que coloca a comunidade de ponta cabeça e os faz enxergar as coisas como elas são. A verdade precisa ser dita, doa a quem doer. Em termos de atuação, Radnor tem uma entrega mediana e sem grandes destaques. Sua melancolia e dramaticidade lembra o Ted Mosby em How I Met Your Mother.

O elenco adolescente é composto por vários atores desconhecidos, mas que trabalham muito bem em conjunto. Começo destacando Auli’i Cravalho (Lillette) e Damon J. Gillespie (Robbie), que vivem o casal protagonista do grupo. Os dois funcionam muito bem juntos, se apoiando nos momentos dramáticos. Auli’i supre a apatia de Damon e consegue colocar pra fora as emoções do ator, o que rende boas cenas para a dupla.

Ted Sutherland (Simon) e Amy Forsyth (Gwen) também foram muito bem em seus arcos individuais. Enquanto o primeiro luta pela aceitação de sua família, a segunda luta para manter sua casa unida. Ambas as jornadas conversam diretamente com muitos jovens e fazem parte dos vários tópicos importantes que o roteiro explora ao longo da temporada.

Ellie Desautels (Michael) traz para as telas de uma forma sutil o processo de troca de gênero na juventude. A readaptação dentro de um grupo, a descoberta de novos amores, tudo faz parte da mensagem central que tanto a série quanto a peça teatral querem passar. O ator foi bem, mas infelizmente teve pouco tempo de tela para desenvolver melhor o seu personagem. Erin Kommor (Sasha) fez uma excelente dupla com Ellie, e ambos protagonizaram momentos importantes e marcantes na vida de um jovem.

Rise conversa muito com os problemas atuais e com a juventude. Nenhum dos personagens está isento das dificuldades, todos enfrentam duras batalhas, mas ao final, a mensagem central que a série transmite gira em torno da importância da família, seja a de sangue ou a que a vida nos deu. Essa base nos dá força para superar qualquer barreira.

É uma pena a série ter sido cancelada. Rise é sensível, realista, dramática e emocionante, mas acima de tudo, é atual e honesta com a realidade. Encerro deixando registrada a última lição que a série nos ensinou: não julgue sem antes conhecer, aquilo que parece ser errado ou até mesmo um absurdo, pode te tocar e surpreender de uma maneira impressionante. Aprenda a ouvir, conhecer e aceitar o outro como ele é.