No dia 10 de maio chega aos cinemas brasileiros Desejo de Matar, novo filme estrelado por Bruce Willis. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, o filme é bom?

Em 1974, era lançado o primeiro Desejo de Matar, onde o arquiteto Paul Kersey sai em busca de vingança pelo assassinato de sua esposa. Com Charles Bronson no papel principal, o filme se tornaria um marco dos filmes sobre vigilantes e renderia quatro continuações.

O novo Desejo de Matar pode ser chamado de refilmagem, mas com várias mudanças. Em uma Chicago assolada por crimes com armas de fogo, o protagonista agora é um cirurgião de trauma, salva vidas de policiais ou criminosos que chegam ao Pronto-Socorro sem qualquer descriminação. Mas sua vida muda quando as próximas a darem entrada no hospital são sua esposa Lucy (Elisabeth Shue) e a filha Jordan (Camila Morrone).

Vítimas de uma invasão domiciliar que saiu do controle, Lucy acaba morrendo e Jordan entra em coma. Paul passa a cobrar o Detetive Raines (Dean Norris) por justiça e, após perceber que a falta de provas deixou a polícia de mãos atadas, resolve ir atrás dos suspeitos sozinho. Cirurgião de dia, vigilante à noite; só o início das contradições de Desejo de Matar.

É impossível olhar para Willis bancando o herói nas noites de Chicago sem lembrar de Corpo Fechado e, mesmo que sua atuação não seja uma imitação de Bronson, nos dá a impressão de seguir os atos de um homem que assistiu todos os filmes da franquia. Mas a agradável surpresa é Vincent D’Onofrio como Jack, irmão do protagonista, interpretado de maneira tão carismática que (quase) nos esquecemos de seu Wilson Fisk em Demolidor.

Do cruzamento entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, nasceu a mente doentia de Eli Roth, ou pelo menos é o que as lendas urbanas dizem. Por isso, de certo modo é triste ver o criador de Albergue e Grindhouse ser tão restringido por um filme como foi em Desejo de Matar. Seu trabalho como diretor é ótimo, mas o sangue e as mortes explícitas que se tornaram sua marca registrada estão desapontadoramente contidos.

Outra coisa refreada no filme é a crítica ao estatuto americano do armamento. Claro que zomba do fato de ser tão fácil comprar armas nos Estados Unidos ou dos milhares de vídeos no YouTube sobre como manusear um revólver, mas ao mesmo tempo torna herói o homem de família que faz justiça com as próprias mãos.

No fim, podemos dizer que este filme não é nem preto, nem branco. É simplesmente cinza. Se você procura uma profunda crítica social, melhor ir assistir o clipe This Is America de Childish Gambino (Donald Glover). Desejo de Matar é para ser assistido sem pretensões políticas, assim como o seu predecessor, e apreciado sem culpa.