2ª temporada de 3 por cento

No dia 27 de abril, chegou ao catálogo da Netflix, a 2ª temporada de 3 por cento. Fique tranquilo, essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

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Mas afinal, a 2ª temporada de 3 por cento foi boa?

Quando chegou ao catálogo da Netflix em 2016, 3 por cento trazia para às telas uma produção nacional diferente de tudo o que os brasileiros tinham visto até então. Com uma premissa abordando a segregação populacional num futuro distópico, a série levantou questões interessantes e muito atuais.

É nítida a evolução de 3 por cento na direção, produção e roteiro. A renovação deu um up no orçamento da série, que se arriscou mais na utilização de efeitos especiais e novos cenários. A 2ª temporada chegou mais madura e pronta para continuar a história do maralto e do continente.

O quarteto protagonista funciona bem em tela e apresenta mais intimidade com o roteiro e os personagens. Os atores estão mais soltos e seguros do que estão fazendo na frente das câmeras. Contudo, ainda em alguns momentos sentimos pequenos deslizes na atuação que se torna decorada/ensaiada e não natural, mas nada que comprometa o resultado final do segundo ano.

Michel Gomes foi o ator que mais me tocou na 2ª temporada de 3 por cento. A jornada de Fernando foi incrível. Mais maduro, calejado e disposto a deixar suas crenças antigas para abraçar o novo e lutar pelo que é certo, o personagem protagonizou momentos emocionantes e trouxe muito sentimento e verdade para às telas.

Vaneza Oliveira firmou-se como a força do elenco. Joana segue marrenta, bocuda, agressiva, mas ao mesmo tempo, com um coração e sensibilidade enormes. A dualidade entre a agressividade e sede de justiça, com a compaixão e misericórdia, fazem dela a personagem mais humana da série.

De todo o elenco, Rodolfo Valente foi o ator que mais cresceu do primeiro para o segundo ano de 3 por cento. Mais experiente, verdadeiro e convincente, Rodolfo protagonizou um bom arco na 2ª temporada. Rafael deixou de ser aquele cara malandro e “esperto”, para se tornar um verdadeiro guerreiro que luta pelos seus ideais e corre inúmeros riscos para alcançar o seu objetivo.

Rafael Lozano me impressiona com a fúria e ódio nos olhos de Marco. Quando entra em cena o ator se transforma num bicho feroz que dá medo de ver. Rafael chama a atenção desde a primeira temporada, quando protagonizou um dos melhores episódios da série. No segundo ano, ele abraça de vez o lado animal do personagem e luta com unhas e dentes por aquilo que acredita.

João Miguel trabalha bem o lado psicológico de seu personagem. Ezekiel é uma mistura de loucura e manipulação com ideias e sentimentos, é muito louca a junção dessas características. Contudo, em alguns momentos o ator passa um pouco do ponto e entrega cenas canastronas e exageradas. Acredito que a direção precise trabalhar mais a famosa frase: “menos é mais”.

Bianca Comparato entrega um arco muito interessante e que abre possibilidades para vários outros desdobramentos da história. Michele é a personagem mais imprevisível da série. Quando você acha que ela está indo para uma direção, o roteiro dá um plot twist e muda o curso da história, fazendo com que a imprevisibilidade nos deixe curiosos para saber qual será o próximo passo que ela vai tomar. Astuta, sensível e extremamente estrategista, Michele é o produto do que tem de melhor no maralto e no continente, tornando-se um caminho para o futuro de 3 por cento.

Em suma, fiquei muito satisfeito com a 2ª temporada de 3 por cento. A produção aprendeu com as críticas que recebeu no primeiro ano e evoluiu. A história está mais consistente, empolgante e bem amarrada. Torço muito para que a série siga evoluindo e levando as produções nacionais mundo a fora.