Alfred

No especial de hoje da série Vikings, vamos falar do personagem que mais tem ganhado espaço na série, o príncipe Alfred, de Wessex. Avisamos que ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS. Continue lendo somente se estiver atualizado com a 5ª temporada, senão é por sua conta e risco, ok?

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O Rei bastardo

Durante a 3ª temporada de Vikings, os produtores decidiram introduzir o maior rei anglo-saxão de maneira totalmente aquém a História: Alfred é filho bastardo de Athelstan com a princesa Judith, de Wessex. Sua ascensão ao trono foi premeditada e evidente desde o momento que o Rei Ecbert descobriu a identidade de seu verdadeiro pai, tomando decisões que moldaram o homem que virá a se tornar.

Visto como um santo, Athelstan foi estimado por Ecbert, respeitado por Aethelwulf e amado por Judith. Após sua partida, todos os sentimentos foram direcionados a Alfred. Em sua infância até foi enviado pelo Rei Ecbert em uma jornada à Roma com Aethelwulf, onde foi ungido pelo Papa.

As conversas e ensinamentos passados pelo avô, somados à proteção exacerbada da mãe, transformaram Alfred em um rapaz tímido, inteligente, observador e, por vezes, vulnerável. Interpretado por Ferdia Walsh-Peelo, Alfred nos passa uma fragilidade até um pouco doentia, como um adolescente que passou a infância enfermo e confinado em sua casa, temeroso em expressar suas ideias de maneira convicta a outros que não sua mãe e avô, pelo menos em suas aparições iniciais.

É possível perceber então que sem seu pai adotivo, Alfred não conseguiria alcançar todas as características de um grande soberano. Contrabalanceando a delicadeza e favoritismo evidente dos outros dois, Aethelwulf o trata do mesmo modo que seu filho legítimo, Aethelred, e permite sua ida à batalha contra os vikings. Após essa experiência, Alfred começa a enxergar aplicação a todos os ensinamentos de seu avô, mesmo que não se veja na posição apresentá-las ao agora Rei Aethelwulf.

No decorrer da primeira parte da 5ª temporada, aos poucos, o garoto retraído deixa que vislumbremos o notável governante que está predestinado a ser, em especial no episódio “Full Moon”. Na busca de quem foi Athelstan e o porquê de sua relevância, Alfred visita o monastério em Lindisfarne e mostra que sabe muito bem qual é sua origem e a respeita, mas compreende a importância de fingir estar na linha de sucessão.

Alfred segue os traços de personagens importantes como Ragnar e Björn, questionando os caminhos da religião e da sociedade, com uma mente rebelde e curiosa. Afirma que os textos religiosos deveriam ser escritos em inglês ao invés de latim, permitindo que o conhecimento chegue ao povo. Tem a coragem de dizer a um bispo em meio a Lindisfarne, onde monges foram mortos e escravizados por Ragnar Lothbrok, que este era um grande homem e sabe que, em suas palavras, “o mundo não é um lugar simples”. Isso expõe a personalidade de um homem ousado e justo, disposto à questionar e ouvir todos que cruzem seu caminho.

E é ao fim desta cena, evidentemente a mais importante do personagem até agora, que vemos pela primeira vez sua ambição em se tornar rei e proteger seu país. Em forma de uma oração a Athelstan, afirma que não seguirá seus passos e não se tornará um homem humilde. Está decidido, se o acaso permitir, a se tornar rei e o fará de forma brilhante.

Seu destino então é selado pela morte precoce de Aethelwulf e pela predileção de sua mãe. A manipulação de Judith permite que Aethelred renuncie e Alfred suba ao trono, dando início à concretização da profecia de Ecbert, a de que o garoto estava fadado à grandes conquistas. É evidente que o Alfred primeiramente apresentado na série não permitiria a insatisfação e mágoa do irmão mais velho, mas a evolução do personagem é tamanha que este não só aceita os planos da mãe, mas se vê em melhor posição de governar seu povo e unificar o país.

Contexto Histórico

Nascido no ano de 849 e conhecido como “Alfredo, O Grande”, foi o quarto (e legítimo) filho do Rei Etelvulfo (Aethelwulf) de Wessex e sua esposa Osburh. Assim como na série, seu pai o levou à Roma, onde foi ungido rei pelo Papa Leão IV em 856 d. C. Ao retornarem, o Rei foi deposto por seu filho mais velho, Etelbaldo (Aethelbald). Na iminência de uma guerra civil, um conselho determinou que apenas os condados do oeste seriam governados por Etelbaldo.

Após a morte do Rei Etelvulfo, o reino de Wessex foi governado respeitando a ordem de sucessão. Alfredo não é mencionado durante o reinado de seus irmãos mais velhos, Etelbaldo e Etelberto (Aethelberht), tendo sua vida pública iniciada aos 16 anos com a ascensão ao trono de seu irmão Etelredo (Aethelred). Durante este período, lhe foi conferido o titulo de secundarius para assegurar sua posição no caso de uma possível morte em batalha do seu irmão, mesmo esse já sendo pai.

Em 870, lutou ao lado de seu irmão contra Ivar, O Desossado, em uma tentativa frustrada de expulsar o exército pagão da região de Mércia. Segue-se então, uma série de importantes vitórias inglesas, estando Alfred diretamente envolvido nesse sucesso. Até que, em janeiro de 871, os ingleses são derrotados na Batalha de Basing e novamente em março, na Batalha de Merton. Poucos dias depois, em abril, Etelredo morre e os nórdicos asseguram sua invasão na Batalha de Wilton.

Assumindo o trono em meio à guerra, sem esperança de expulsar os vikings, Alfredo se vê obrigado a entrar em um acordo com os pagãos. Os termos deste não são certos, mas acredita-se que, além de ceder terras, Alfredo tenha pagado para que os exércitos deixassem certas partes do reino. Após um período de relativa paz, os nórdicos voltaram a atacar a Inglaterra por volta de 892.

Alfredo então passa a construir fortificações e preparar soldados para rechaçar os avanços vikings, estabelecendo a marinha apenas para esse fim. Depois de vitórias significativas, se proclamou protetor dos cristãos anglo-saxões e libertou áreas vizinhas do domínio viking. Foi assim que o Rei pavimentou o caminho para uma Inglaterra unificada, concretizada no reinado de seus filhos e netos.

Até hoje, Alfredo é considerado herói da Inglaterra e um dos maiores soberanos que já existiu, sendo o primeiro a ser chamado de “Rei dos Ingleses”. Seu interesse pela educação das massas, leis justas e um reinado que trouxe diversos avanços à sociedade, lhe conferiram o status de lenda e até mesmo de santo.

fontes: History Today. BBC.

Alfred será “O Grande”?

Apesar das mudanças em prol da narrativa, a série costuma manter grande parte dos fatos históricos, o que significa que é quase certo que veremos Alfred se tornar o maior soberano inglês a ser retratado. Basta saber como o programa deixará sua história interessante, já que a mesma já está sendo explorada também pela série The Last Kingdom.

Cabe a ele derrotar os nórdicos, mas qual filho de Ragnar encontrará seu fim pelas mãos do Rei? Talvez já tenhamos visto uma pequena previsão do que está por vir no episódio “All His Angels”, da 4ª temporada. Onde o jovem Albert derrota Ivar Lothbrok em um jogo de xadrez, mostrando que o pensamento estratégico militar do viking pode ter encontrado um adversário à altura.

E você, o que espera de Alfred?

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