Alicia Vikander

Alicia Vikander: “Foi difícil e empolgante!”

A convite da Warner Bros. Pictures, entrevistamos a atriz Alicia Vikander, que veio ao Brasil divulgar Tomb Raider: A Origem na CCXP 2017. Muito simpática e sorridente, ela posou para fotos e conversou com a imprensa num bate-papo informal que durou cerca de 22 min.

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Então seu nome se pronuncia Alicia ou “Alichia”?

Alicia! Agora todo mundo na América vai saber pronunciar o meu nome direito (risos).

Você assistiu a versão de Tomb Raider com a Angelina Jolie?

Eu tinha 10 anos quando o primeiro jogo foi lançado e fiquei animada ao ver a primeira protagonista feminina em um vídeo game. Eu assisti aos filmes com a Angelina e ela se tornou um ícone do cinema por causa deles. Acredito que esses filmes estão entre as melhores adaptações de vídeo games para o cinema, se não forem a maior.

Qual a diferença do filme dela (Angelina Jolie) para o seu?

Quando me chamaram para fazer esse filme, eu me perguntei: qual seria a diferença em relação aos anteriores? E eu li sobre o reboot do game em 2013 e os produtores confirmaram que esse longa seria baseado nessa nova saga da franquia. E essa é uma história e uma versão bem diferente da Lara Croft. Quando nós a conhecemos no jogo e nesse filme, ela ainda não passou por nenhuma grande aventura. No filme, ela é uma jovem que mora em Londres, trabalha como entregadora e divide o apartamento com os amigos, o que é o jeito normal dos jovens viverem em Londres, hoje em dia, (risos) e eu me incluo nisso, quando eu tinha 20 anos e fui morar em Londres.  Eu sabia desde o início que esse filme teria uma nova roupagem e isso é empolgante, porque ela é uma personagem que muitos se apaixonam, e nós precisávamos ter cuidado e fazer jus, mas ao mesmo tempo entregar algo único e novo.

Ainda falando sobre as diferenças do último filme da Angelina Jolie, hoje em dia temos toda uma nova discussão sobre a representação feminina. Como essa personagem é diferente e como foi adaptada essa mudança?

O mundo mudou, é uma enorme diferença cultural. É interessante, porque acho que é apenas a adaptação da sociedade em que vivemos. Hoje quando vemos alguns filmes consagrados de 5 ou 10 anos atrás, nos deparamos com uma visão absurda das mulheres e das minorias e pensamos: isso não deveria ter sido feito. E o que eu quero dizer é, nós estamos trazendo uma personagem que é parte da nossa sociedade atual e que fala com a juventude. Nós estamos fazendo um filme, mas na verdade estamos trazendo a perspectiva correta do que é uma jovem mulher.

Hollywood tem passado por várias acusações de assédio e Tomb Raider está chegando numa época importante para empoderar as mulheres dentro e fora dos cinemas. Como você se sente com o filme sendo lançado nesse cenário? Você acha que terá alguma mudança na indústria cinematográfica?

Eu acredito que os últimos meses mostraram que terão grandes mudanças e não só na indústria, mas em todos os lugares. Quando eu entrei nessa profissão, há 6 ou 7 anos, eu lembro que eu assisti Jogos Vorazes e pensei: UAU, finalmente uma protagonista mulher, provavelmente desde Angelina Jolie (risos). Isso não só provou que nós precisamos contar mais histórias sobre mulheres, mas provou também que pode ser um sucesso comercial. Fico feliz de saber que ao longo desses anos as mulheres têm ganhado papéis mais importantes no cinema. E para mim, fazer parte de um projeto inclusivo como esse é empolgante. Eu amei ver a Mulher-Maravilha no ano passado. É engraçado, porque eu sempre achei bonito o feminismo, mas ainda assim, eu assisti aquelas cenas de ação e lembro-me de ficar impressionada e pensar: isso é tão extremo. Foi ai que eu percebi que eu nunca tinha visto nada parecido. É triste nunca ter visto uma mulher repetindo essas cenas em outros filmes. Mas sim, eu tenho esperança de que as coisas vão mudar e que as discussões dos últimos meses foram importantes.

Quando as acusações aconteceram, o filme já estava finalizado ou ocorreu alguma mudança em decorrência aos casos de assédio em Hollywood?

Não, o nosso filme já está dando um passo a favor de todas as mudanças que estão acontecendo no mundo. Nosso filme foi filmado antes de tudo isso vir à tona e não tivemos nenhum problema ou mudança no que já estava pronto.

Como foi a sua preparação física para o filme?

Foi difícil e empolgante! (risos). Eu aprendi que leva três ou quatro meses para você ganhar músculos que você precisa ganhar em três semanas (risos).  Eu cresci amando filmes de aventura. Eu assisti Indiana Jones muitas vezes, amo os filmes da Múmia e quando eu tinha 12 anos assistia várias vezes. Sou uma grande fã de mitologia egípcia e para mim, fazer um filme de aventura ou com grandes cenas de ação é uma realização da minha versão mais nova. Fazer parte disso e da criação de todo esse universo cheio de mistério e de grandes sets de filmagens, foi incrível. Nós não usamos muito chroma key (tela verde) e tinha muitas coisas incríveis no set. O set designer era incrível. Mas voltando para sua pergunta (risos), o Walton Goggins e eu conversamos muito sobre como nós amamos esse tipo de filme e como nós nos sentíamos criança nos bastidores. Um dia eles construíram um cenário enorme cheio de sarcófagos e eu fiquei tão empolgada que parecia uma criança, era uma loucura. Essa é uma das razões pelas quais eu fiz esse filme e, também, porque eu acho que fazer um trabalho que você precisa se preparar fisicamente por três ou quatro meses é um presente. Eu acho que o tempo que eu praticava dança ajudou. Eu parei de dançar há 10 anos, mas voltar a treinar todos os dias me deixou empolgada. Quando um amigo descobriu que eu ia fazer esse filme ele disse: você precisa fazer o meu treino! E eu respondi: ele vai me deixar igual você? (risos). Eu passei de três a quatro meses me preparando antes de começar a gravar. Eu precisava ganhar músculos, então eu treinei escalada, ciclismo e todas as coisas que faziam parte do filme, porque eu gostaria de fazer o máximo de cenas e não deixar para as dublês. Esse é o filme de uma garota normal que vive em Londres e que precisa se tornar essa mulher forte e capaz de fazer essas coisas sobre-humanas. E quando ela chega à ilha na segunda parte, ela nunca havia nada disso e ela precisa ser capaz de enfrentar esses obstáculos. E as pessoas têm que acreditar que ela consegue, é forte e capaz. A força é a ferramenta que ela precisa para sobreviver.

Você assinou contrato para vários filmes? Teremos uma sequência?

Tudo vira uma franquia hoje em dia. Os grandes estúdios esperam fazer vários filmes, mas tudo vai depender do público.

Como as suas habilidades como dançarina te ajudaram nesse filme?

Na verdade, todos esses filmes não passam de coreografias. Eu tinha seis dublês e mesmo quando não era eu que iria fazer a cena, nós ficávamos ensaiando os movimentos. E a dança me ajudou a ter essa facilidade de decorar e executar os passos.

Como o Oscar mudou a sua carreira e as escolhas de papéis?

Eu não sei (risos). Porque todos os filmes que eu fiz depois do Oscar já estavam planejados, então eu realmente não sei.

Nós já te vimos em dramas, ficção científica e agora ação. Tem alguma outra coisa que você gostaria de fazer?

Hum…tem muita coisa que eu gostaria de fazer (risos). Acho que está na hora de fazer coisas diferentes do que eu já fiz. Fico animada de me apaixonar por uma ideia ou de conhecer algum diretor que eu quero muito trabalhar, acho que cada vez mais está ligado às pessoas pelas quais eu trabalho. Acho que essa é a prioridade, afinal, nós passamos meses gravando um filme. Estou pensando o que eu farei daqui para frente.

Você jogou Tomb Raider? É boa no jogo?

Eu gosto de jogar, mas não sei se sou muito boa (risos). Alguns gamers foram no set e eu fiquei nervosa, porque essas pessoas sabem tudo sobre a Lara e foi maravilhoso conhecer essas pessoas que amam a personagem. Eu contei para eles que eu joguei e demorei muito para zerar. Às vezes eu jogava no trailer (risos). E eles me disseram: para ser bom você precisa zerar em 24h, mas acho que você vai precisar de alguns dias (risos).

Além da Lara, qual outra figura feminina você admirava na infância?

Eu tenho uma mãe incrível, duas irmãs, uma professora de dança. Uma amiga que me ajudou muito quando eu sai de casa e fui morar sozinha. Ela disse para eu acreditar mais em mim, o que me ajudou a ser mais autoconfiante.

Você mencionou que você veio para Londres. Você ainda mora lá? Tem contato com a Suécia?

A Suécia sempre vai ser a minha casa, é de onde eu vim. Eu amo Londres, passei 6 anos lá. Agora eu vou falar para vocês onde eu moro e peço desculpas por não saber mais português, mas eu moro em Portugal. É isso, última pergunta pessoal (risos).

Alicia Vikander chega aos cinemas como Lara Croft no dia 15 de março.

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