Eu, Tonya

No dia 15 de fevereiro, chega aos cinemas mais um filme que pode pintar no Oscar 2018, Eu, Tonya. Fique tranquilo essa crítica NÃO CONTÉM SPOILERS!

Mas afinal, o filme é bom?

Eu, Tonya conta a história da patinadora artística Tonya Harding, atleta americana que foi uma das maiores patinadoras no gelo do mundo, mas ficou mais conhecida por ser acusada de planejar um ataque contra sua principal rival durante as Olimpíadas de Inverno de 1984, Nancy Kerrigan.

O longa que rendeu indicações e prêmios a Margot Robbie, é intenso, traz uma carga dramática muito alta e conta uma história triste e cheia de momentos decadentes. Se você está esperando um filme inspirador, sobre superação e que te motive a alcançar os seus sonhos, esse não é o seu lugar. A vida de Tonya Harding foi cheia de percalços, tropeços e momentos que a levaram para o fundo do poço. É deprimente ver quanto talento foi desperdiçado por decisões erradas e más companhias.

Margot Robbie brilha como protagonista. A atriz te envolve no drama de sua personagem e faz você se emocionar e impressionar com sua atuação e qualidade. Em vários momentos a vemos perder o controle da situação e agir por impulso. A explosão e energia que Margot transmite são dignas de uma indicação ao Oscar. Ela vestiu a roupa de sua personagem e embarcou nessa jornada dramática e que marcou a história do esporte mundial.

Sebastian Stan vive um personagem caricato e marcante na vida da protagonista. Ele é violento e descontrolado ao mesmo tempo em que é passivo e sonso. Não conseguimos sentir ódio dele, por mais que suas atitudes prejudiquem muito a protagonista. O sentimento que ele nos desperta é desprezo, desaprovação e indiferença. Stan teve uma entrega eficiente, mas não marcante. Eu, Tonya é um filme que faz as mulheres brilharem, enquanto os homens servem de apoio para o desenvolvimento da trama.

Mesmo Margot Robbie sendo a protagonista, é Allison Janney quem rouba a cena em vários momentos. A atriz vive a mãe de Tonya, e consegue causar um verdadeiro inferno na vida da filha. Também caricata, a personagem de Allison dá o star na história e é peça chave para o sucesso e a decadência da jovem patinadora. A formação do caráter, valores, atitudes e comportamentos são creditados na equivocada educação passada pela mãe. Sem uma base sólida, o futuro da atleta desabou gradativamente.

Um ponto negativo do filme são os efeitos especiais no rosto das patinadoras. É perceptível o uso da tecnologia para introduzir Margot Robbie e Mckenna Grace no corpo da atleta, o que é frustrante. Outra questão que deixa a desejar é o uso do humor para suavizar e trazer leveza. A vida de Tonya não foi fácil. A personagem sofreu vários tipos de violência ao longo da história e o longa utilizada do efeito da quebra da quarta parede para amenizar e tirar o peso desses episódios. A trama deveria fazer o público refletir e pensar sobre as lições passadas, porém, o uso do recurso citado acima pode prejudicar essa experiência.

Em linhas gerais, Eu, Tonya é um bom filme. A trilha sonora abrilhanta o longa, juntamente com a atuação dos atores. Fique ligado, pois ele pode faturar algumas estatuetas douradas.

Eu, Tonya estreia no dia 15 de fevereiro.

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