Blade Runner 2049

No dia 05 de outubro chega aos cinemas Blade Runner 2049. Longa que marca o retorno da franquia as telonas e tem grande elenco.

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Mas afinal, o filme é bom?

Primeiramente, devo fazer um desabafo. Muitas vezes, a indústria do cinema se aproveita do sucesso de uma obra prima apenas para lucrar com continuações e spin-offs irrelevantes, geralmente com história ruim, simplesmente “copiando e colando” a mesma fórmula que fez sucesso no anterior e pasmem, eles não costumam parar no segundo filme. Blade Runner 2049 não se encaixa nessa descrição.

Contextualizando: Blade Runner, lançado em 1982, não foi considerado um sucesso de bilheteria para a época, mas deixou muitas contribuições para o cinema e com o passar dos anos, foi sendo cultuado cada vez mais. Dentre outros feitos, o filme introduziu a estética do cyberpunk.

A história se passa em 2019, onde carros voam, mas ainda lemos o jornal de papel (sem ipads ou smartphones ou principalmente emojis), em que replicantes (nome dado a androides) são escravizados pelos humanos e se rebelam numa luta por sua liberdade. O original vai além do simples embate entre humanos e robôs e busca entender o que faz de nós humanos, o que nos diferencia dos androides. A obra é baseada no livro de Philip K. Dick “Do robots dream of electric sheep” (Robos sonham com ovelhas elétricas?) e tem como uma de suas principais características, o fato dos androides terem memória/sonhos e a partir daí questionarem seus propósitos e motivações.

Filme introduzido! Esse contexto é obrigatório para entender a sequência. Vamos a ela:

2049, respire aliviado, supera as expectativas! Para quem viu o anterior, amou e está com um pé atrás devido a fama de Hollywood, livre-se dos preconceitos. Infelizmente não é possível dar muitos detalhes da trama, pois ela em si é um super spoiler e os posters/trailers fizeram um ótimo trabalho de não revelar nada. É uma evolução interessante dos questionamentos do primeiro filme: A linha tênue entre ser ou não ser humano, ser rotulado e caçado devido a sua origem.

O filme tem um ritmo certo, nem muito lento, nem muito rápido, como se espectador pudesse apreciar cada passagem e raciocinar junto ao protagonista, o detetive K (Ryan Gosling) tentando desvendar cada nova pista de sua investigação. Cada cena e diálogos são relevantes, o filme não tem pressa de apresentar personagens (Harrison Ford e Jared Leto), nem de encerrar rapidamente situações com conclusões óbvias (ponto muito positivo). Ele provoca com mais perguntas do que respostas, mas isso não atrapalha muito a experiência, apenas a deixa interessante.

2049 tem uma estética única. O diretor Denis Villeneuve fez questão de imaginar o futuro daquele futuro imaginado em 1982. Ainda chove o tempo todo, a cidade continua enorme e densa, sem natureza, apenas concreto, metal e poluição. A tecnologia parece arcaica embora tenha muito mais recursos. Até mesmo algumas propagandas foram deixadas lá como PanAm e Atari. E o resultado é espetacular! Alias aqui cabe uma comparação com Mad Max: Fury Road, esse filme também é pra ser visto em IMAX, ou numa tv 4K (aproveite que não existe mais 3D).

Da pra notar que não é apenas um mero reebot/spin-off/continuação qualquer. Blade Runner 2049 é único e entrega algo a altura de seu antecessor. Com tamanho zelo pela obra, é provável até que exista alguma campanha para Oscar. Que venham mais continuações como essa!

Vale destacar que o diretor conta outras duas histórias além do longa principal: Blade Runner 2022 (animação) e Blade Runner 2036 (curta metragem), ambos disponíveis online. Confira abaixo para se aprofundar mais ainda na história do longa.

Blade Runner 2049 estreia no dia 05 de outubro.