3ª temporada de Narcos

Ontem (02) a 3ª temporada de Narcos entrou no catálogo da Netflix. Com a queda de Pablo Escobar (Wagner Moura), agora é a vez do Cartel de Cali comandar o narcotráfico.

teaser da 3ª temporada de Narcos

Mas afinal, a 3ª temporada de Narcos foi boa?

Nas primeiras impressões da temporada já conversamos um pouco sobre a transição entre Pablo e os Cavaleiros de Cali. Acho interessante a ideia da série querer abordar o narcotráfico como um todo, isso amplia a gama de histórias e personagens que podem aparecer, além de tornar a premissa atual e perene. Inclusive fico imaginando se os produtores tem a intenção de trazer a história para o Brasil em algum momento.

Os problemas começam quando entendemos a seguinte frase: os narcotraficantes não tem o mesmo carisma. Partindo desse princípio é onde a 3ª temporada de Narcos peca e fica abaixo da anterior. Com apenas 10 episódios e digo apenas, pois a Era Escobar foi contada em 20 capítulos, o roteiro introduziu os chefões de Cali, pincelou a ideia central e não conseguiu dar espaço e tempo para o desenvolvimento individual de cada um deles.

A 3ª temporada começa lenta e causando estranheza. Sentimos o vazio deixado pela morte de Pablo e a falta que o agente Murphy (Boyd Holdbrook) faz na série. Peña (Pedro Pascal) parece perdido e cansado em tela. A descrença do personagem com o seu objetivo final é passada ao espectador. O sistema é tão corrupto e falho que fica difícil acreditar que alguma coisa vai dar certo.

É interessante observar que mesmo mudando o elenco e os personagens, a série tenha encontrado o seu tom. Sentimos o dedo de José Padilha e a forma envolvente que ele desenvolve um thriller policial. Por conta disso, percebemos que Narcos deixou de ser uma história e se tornou um conceito ou fórmula que pode ser replicada para vários outros casos históricos e marcantes na história mundial de combate as drogas. Mérito da produção conseguir tornar o nome da franquia maior do que as histórias das temporadas. Agora só resta aos produtores aparar as arestas e falhas do roteiro para encaixar melhor os personagens em tela.

Entendam que a minha crítica não é em cima da história e dos personagens, e sim na forma que tudo isso se encaixou na trama. Senti falta de harmonia entre o elementos. A história começa fraca, vai crescendo, fica intrigante e termina como num passe de mágica. Ai eu pergunto a vocês, não daria para ter quebrado o arco de Cali em duas temporadas da mesma forma que fizeram com Pablo? Temos quatro chefões e várias caras novas no elenco. Acho que essa saída teria desenvolvido melhor algumas coisas e traria mais emoção para as resoluções apresentadas.

De modo geral, a 3ª temporada de Narcos foi boa. Destaco o personagem Jorge Salcedo (Matias Varela) que teve o melhor arco desse ano. Ele brilhou e nos envolveu com suas cenas tensas e perigosas. Sua história foi um dos principais motivos para continuarmos assistindo a temporada.

Ainda falando do elenco novo, não destaco nenhum dos quatro chefões de Cali. Todos ficaram rasos e superficiais. A grande decepção e desperdício foi a escalação de Miguel Ángel Silvestre para um personagem completamente inexpressivo e sem espaço na trama. Os novos agentes da DEA também não mostraram a que vieram, uma pena.

Narcos encerra mais um ano deixando um gancho interessante no final. Talvez a sombra de Escobar atrapalhou Cali. O melhor que série tem a fazer é mudar de ares e figuras marcantes no narcotráfico. Vamos aguardar e torcer por essa reformulação!

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