O décimo episódio da terceira temporada encerra mais um ciclo de Better Call Saul, uma série que, infelizmente, parece imitar uma montanha russa desgovernada que sobe e desce, entre episódios que vão desde grandes acontecimentos a grandes decepções. Aparentemente, a queda tem sido mais frequente. Essa crítica contém spoilers.

 

Não que assistir Better Call Saul seja como testemunhar a grama crescer, mas desde o primeiro episódio desta temporada, pouco vimos de Jimmy realmente se tornar Saul, Kim fazer algo diferente do que atender o caso de Mesa Verde, Mike ser Mike, Nacho ser Nacho e Chuck continuar sendo desprezível. A introdução de Gus Fring levantou os ânimos de todos no início, mas pouco foi visto quanto a um envolvimento com algo grande. Os fatos vão lentamente- e até demais – sendo explicados e desenrolados, os episódios servindo de transição um para o outro, sem grandes emoções.

Fatos memoráveis, como Chuck levando a pior na corte contra o irmão, Hector Salamanca perdendo as estribeiras com Gus, Nacho tentando mata-lo e Jimmy começando a ser Saul são marcantes, mas são momentos que acabam morrendo na praia por falta de explicações ou qualquer momento de clímax.

A terceira temporada de Better Call Saul parece focar mais em filmagens estáticas de locais típicos americanos, onde até o foco em um uma placa de saída de emergência é mais interessante do que o enredo morno. Aliás, é inegável não concordarmos que a fotografia dessa série não seja peculiar, bela e exótica de certa forma, trazendo uma característica única que acompanha o andar lento da série.

O último episódio encerrou de forma dramática uma temporada que tentou ser dinâmica. Nesse episódio vimos Chuck sendo o ser humano mais egoísta da terra, ao falar que o irmão nunca foi algo importante em sua vida, o que lhe custou a vida em um suposto suicídio; Hector Salamanca leva a pior e sofre um ataque cardíaco; Jimmy tenta a redenção criando um cenário (ou não) para se livrar do caso de Sandpiper e Mike… bom, Mike dessa vez não apareceu.

No final, os pontos de interrogação e o cliffhanger é se Chuck sobrevive ao incêndio, se Salamanca vai viver em uma cadeira de rodas e se Jimmy vai virar Saul de vez. E é isso.

Ao julgar pelo número de temporadas que terão pela frente, Better Call Saul possivelmente sobreviverá a mais duas e Vince G. terá de arrumar alguma forma de melhorar o ritmo dessa série que tem muito a ganhar, com personagens ricos e histórias interessantes.

Sendo bastante realistas, Better Call Saul só sobreviveu até agora dado ao peso e existência do nome de Breaking Bad.  Parece que assistimos a série com o objetivo de ver Jimmy se tornar Saul Goodman e com a esperança de Heisenberg aparecer.

E você, acha que a quarta temporada será mais dinâmica? Quais são as suas expectativas?