O reinado de Luis XIV fora o verdadeiro ápice do estado absoluto, isso é, tudo nas mãos do rei, assim dizia o próprio governante em sua célebre frase “O estado sou eu”. Para Frank Underwood, o poder não advém apenas do Estado, mas para ele, o seu controle vai muito além disso. Frank vive disso, mesmo não atuando em um governo que seja a favor do povo, para o povo e do povo. O importante é o legado que ele deixará, uma nação Underwood. A dinastia Underwood na 5ª temporada de House of Cards. CUIDADO, SPOILERS ABAIXO!

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Mas afinal, a 5ª temporada de House of Cards foi boa?

A quinta temporada de House of Cards é uma aula política sobre a total descrença do poder do Estado pelo eleitorado, a desconfiança das pessoas em políticos e como uma democracia pode ser utilizada contra uma nação, controlada por líderes populistas e maquiavélicos.

Na época em que a quinta temporada estava sendo escrita, as eleições norte americanas que levaram Donald Trump ao poder não haviam se encerrado e incrivelmente as similaridades são gritantes com as da série, o que ilustra como a política retratada na arte chega a ser previsível na realidade.

Frank inicia a mais recente temporada ameaçando o congresso, que investiga crimes cometidos por ele em sua vice-presidência. O total desrespeito pelas regras e perante o congresso mostram quão frágil o sistema pode ser nas mãos de políticos inescrupulosos.

Tal narrativa agressiva acompanha boa parte da 5ª temporada. Ao longo da campanha de Frank contra o jovem e moderno Conway (republicano), o desprezo pelas regras políticas, manipulação de fatos, vazamentos de notícias e fatos contrários a candidatos são frequentes, o que torna a temporada extremamente cativante. Os Underwood realmente tornam o sistema dos EUA em um antro de fake news, usando inteligência contra o seus candidatos, isolando o sistema e manipulando o sistema de votações. Tudo para permanecer no poder.

Entre tudo isso seus aliados começam a ser questionados, inclusive os mais antigos e mais próximos. Em um ambiente de cada um por si, os funcionários da casa branca são trocados e usados de acordo com as necessidades mais urgentes. Outros burocratas de peso aparecem, como verdadeiros monstros enraizados pela burocracia estatal, tais como Mark Usher (Campbell Scott – O espetacular homem aranha) e Jane Davis (Patricia Clarkson – Ilha do medo e A espera de um milagre), que sabem muito bem movimentar o destino de acordo com o que eles desejam; eles são a personificação do estado, da corrupção e da frieza. Possivelmente personagens que todos nós aprenderemos a odiar, já que ambos atuam quanto a dois lados da moeda.

Frank é questionado muitas vezes quanto ao seu fôlego e sua idade pelos que estão ao seu redor. Após a metade da quinta temporada, basicamente todos os seus crimes começam a vir à tona através de denúncias e investigações jornalísticas. Suas raízes e métodos políticos começam a ser postos a prova e ele aparenta ser mais uma figura entre os demais políticos de Washington.

Nessa temporada, Frank vive um ápice de desaprovação, suas medidas são extremamente impopulares e poucas funcionaram de fato. Basicamente tudo foi feito às escuras, tendo que eliminar um aliado ou algum terceiro próximo para que seus planos e sua permanência no poder continuassem. A quinta temporada não é diferente.

Underwood pode ser considerado um dos piores presidentes dos EUA, se colocado lado a lado entre os que de fato governaram os EUA. Baseado em seu antecessor real, Lyndon B. Johnson, um democrata maquiavélico e mesquinho, que assumiu a presidência após o assassinato de Kennedy, Johnson fez medidas populares conhecidas como “Great Society”, como a guerra, a pobreza, Medicare, Medicaid e os direitos civis. Assim como Underwood tentou com o seu “America Works”. Entretanto, entre Johnson e Underwood, enquanto o primeiro deixou um legado o segundo conseguiu copiar apenas a ameaça de políticos para obter vantagens, conhecida como “O Tratamento Johnson”, método retratado em famosas fotos que, curiosamente, Frank pendurou na Casa Branca.

Podemos dizer que a quinta temporada é a real prova de que Frank Underwood está ameaçado pelo sistema que ele criou, chegando a hora de um novo sucessor. Nesse caso, estamos falando de Claire Underwood.

Uma personagem que foi evoluindo ao longo da série e ganhando cada vez mais poder e influência, ameaçando até mesmo o posto do marido. A questão para as próximas temporadas é se o mesmo destino de Frank será igualmente oferecido à Claire, ou a dinastia Underwood poderá cair, estando os seus representantes à mercê de uma guilhotina em praça pública, por todo o mal que fizeram, afinal o Estado era representado por eles.

De forma geral, a 5ª temporada de House of Cards pode ser considerada a melhor da franquia. Sem exceções. Um verdadeiro pacote recheado de imprevisibilidades e maquiavelismos, assim como a política é.

E você, acha que está preparado para os Underwood na próxima temporada? Você gostou da 5ª temporada de House of Cards? Conta pra gente!