Rei Ecbert

Rei Ecbert representa a real essência da figura maquiavélica

No especial hoje da série Vikings, vamos falar de um dos personagens mais calculistas e maquiavélicos da série , Rei Ecbert, de Wessex. Avisamos que ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS. Continue lendo somente se estiver atualizado com a 4ª temporada, senão é por sua conta em risco, ok?

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O Rei maquiavélico

Se existe uma representação mais fiel de um político descrito por Nicolau Maquiavel (1469-1527), em seu simbólico livro, O Príncipe, o Rei Ecbert (ou também Egbert) de Wessex é a sua mais fiel cópia.

Ecbert, interpretado brilhantemente por Linus Roache, é rei do domínio de Wessex, um dos antigos reinos ingleses situados no sul e sudoeste da Inglaterra. Com muita análise e paciência, sabe muito bem gerenciar os conflitos de seu território, além de entender como o jogo diplomático funciona. Cerca-se de aliados e mantém os seus inimigos ainda mais por perto, utilizando-os de forma conveniente para atingir os seus objetivos, uma de suas principais características.

Tal egoísmo de Ecbert é algo que ele  reconhece ao seu filho, Aethlewulf, ao dizer que prefere não ter amigos, pois é melhor dessa forma. Tal atitude reflete em sua ambição, de ser o rei de todos os reinos, Bretwalda. Algo que ele planeja cuidadosamente ao longo da série.

Manipulando aliados e inimigos

Em diversas ocasiões, Ecbert usa e abusa de sua inteligência política para conseguir o que quer. Independente dos meios, o que importa são os fins. Vamos colocar alguns dos diversos exemplos que o nobre estimado fez na série Vikings:

Aethelstan e os romanos. Não é muito claro se Ecbert de fato nutria um verdadeiro respeito além do normal por Aethelstan, mas ele o utilizou para traduzir boa parte dos manuscritos romanos em que se encontravam no palácio de Wessex. Ecbert, diferente do clero e da nobreza de sua corte, sabia muito bem da história dos romanos e a sua crença nos deuses pagãos. Ele acreditava que tal religião era um símbolo de poder, que de forma indireta contribuiu na extensão dos territórios romanos ao longo da história.  Assim sendo, a tradução dos pergaminhos era uma forma de entender como tudo aconteceu, além de poder utiliza-los como aprendizado na guerra e na diplomacia com outros povos. (Algo que ele fez em muitas ocasiões, na guerra e na paz).

A mão de ferro sobre Aethewulf. Boa parte das temporadas Ecbert usa seu filho, Aethelwulf como instrumento para liderar parte de seus exércitos. Não por uma questão de covardia, mas ele sabia que, além de preparar seu filho para a sucessão, a ausência do mesmo era necessária para que ele manipulasse a sua esposa, Judith para “outras empreitadas”.

De amigos, para inimigos, para descartados. A mais notável habilidade de Ecbert era em sua capacidade em persuadir qualquer um para atingir seus fins Ele conseguiu: manipular Ragnar para acabar com a guerra civil em Mercia; a aliança com Northtrumbia, casando a filha do Rei Aelle com Aethelwulf; A coroa de Mercia após assassinar a rainha Kwenthrith… enfim, a lista é longa – principalmente quanto a sua última jogada antes de morrer.

Contexto histórico

De acordo com registros históricos, o Rei Ecbert reinou Wessex no século IX, entre 802 e 839. Pouco se sabe sobre seus primeiros 20 anos de reinado, a não ser que conseguira manter a independência de Wessex das investidas do reino de Mercia. Ele derrotara Beornwulf de Mercia, na batalha de Ellandun,  encerrando a supremacia do reinado inimigo e conquistando todas as suas dependências e outros reinos ingleses ao sul. A investida final ocorreu em 829, quando derrotou Wiglaf de Mercia, sendo assim rei de tal domínio. No mesmo ano, recebeu a submissão de Northrumbia ao seu comando, tornando-se Bretwalda, rei de todas as terras anglo-saxãs.

Não muito tarde, Wiglaf retoma as terras de Mercia, mas Ecbert ainda domina terras como Kent, Sussex e Surrey, domínios comandados por seu filho, o príncipe Aethelwulf. Após a morte de Ecbert, seu filho assume o trono.

A amizade com Ragnar e a morte de um rei frustrado

Se existia algo de mais verdadeiro em Ecbert foi quanto a sua relação com Ragnar. Ecbert nutria uma profunda admiração pelo rei Viking, como líder e político. Uma das cenas mais memoráveis é quando os dois sentam no mesmo trono e cada um se questiona se são corruptos e possuem vícios, o que ambos concordam plenamente.

O final da quarta temporada é marcado pela extensa conversa que os dois tem após Ragnar ser capturado em terras inglesas, logo após o seu retorno inesperado da Dinamarca. Ecbert confessa o seu erro em ter comandado a destruição dos campos nórdicos e ao mesmo tempo recusa em entrega-lo para ser morto por Aelle. Os dois, no final das contas, aceitam o desejo de um e do outro, mesmo sabendo de suas segundas intenções:

Rei Ecbert

1) Ragnar pede para ser morto por Aelle, pois sabe que seus filhos irão vinga-lo, matando Aelle- sem mencionar que Ecbert também seria.

2) Ecbert aceita, mesmo sabendo que os filhos de Ragnar atacarão terras inglesas. Próximo a invasão, passa a coroa a Aethelwulf e dias depois, ao ser capturado, negocia com os Vikings como ele deseja morrer, entregando a eles um pedaço de terra inglesa em um contrato – que basicamente não tem validade alguma, pois já não é mais rei ao ser capturado.

Ecbert, antes de ser capturado pelos Vikings, presencia a morte de Ragnar disfarçado de monge, como forma de respeito. Tal cena o marcou muito, podendo até ter sido um fato em que ele usou para manipular os Vikings para evitar uma morte sofrida. Ao barganhar com Björn, em troca das terras inglesas, pede que escolha a forma como ele quer morrer: se matando nas termas do palácio.

Rei Ecbert

No fim, Ecbert perde tudo o que conquistou, mas deixou o seu legado nas mãos de seu filho, sabendo que ele, no final do dia, vingará a morte do pai, assim como fizeram os filhos de Ragnar.

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