Na última sexta-feira (17) a Netflix lançou todos os episódios da última peça do quebra-cabeça que faltava para a série dos Defensores. As expectativas para a 1ª temporada do Punho de Ferro eram altas, mas será que ele aguentou a pressão? Fique tranquilo, essa crítica NÃO TEM SPOILERS.

É complicado falar de Punho de Ferro sem mencionar os seus colegas de grupo, o Demolidor, Luke Cage e a Jessica Jones. Afinal, talvez o único real motivo de existir essa série seja para finalizar as introduções.

Danny Rand (Finn Jones, o Loras Tyrell de Game of Thrones) é filho do dono de uma das maiores corporações do mundo. Um dia, viajando com sua família, eles se envolvem num acidente de avião na qual todos exceto o garoto, morrem. Ele então é acolhido por monges de uma linhagem oculta, numa cidade que vai e volta da nossa dimensão, chamada de K’un – Lun. O rapaz treina por 15 anos para se tornar a Arma Viva, o Punho de Ferro. Depois de realizar tal façanha, Rand volta a Nova Iorque em busca do que restou de seus conhecidos. Ao chegar, Joy e Ward Meachum, interpretados por Jessica Stroup e Tom Pelphrey, negam que Danny seja quem ele alega ser. Cabe ao herói provar sua identidade.

Finn faz um bom trabalho sendo o Punho, falando de quando estava no himalaia sendo treinado, compartilhando sabedoria e lutando. A questão é que ele sempre aparenta ser ingênuo, perdido na situação e sendo coagido a fazer o mal. Joy e Ward, que são os semi-irmãos de Danny tem uma relação que foi se esvaindo, graças a necessidade de tratar a vida como um encontro de negócios. Ao longo da temporada, quem demonstra mais mudança e mais conflitos é o Ward. As sequências que mostram seu estado mental são ótimas. Quase dignas de ser um terror psicológico.

O problema é que os elogios praticamente param por aqui. A princípio, uma série sobre o maior artista marcial da Marvel vai ter lutas incríveis e bem coreografadas. Ao longo dessa temporada, os combates ocorrem em lugares escuros, cheios de cortes e planos abertos. Esses artifícios são usados principalmente, porque é evidente que nenhum dos atores ou dublês sabem lutar. As lutas acabam sendo uma inconveniência ao invés de memoráveis ou legais.

Em termos de enredo, vemos uma curva ascendente que não se preocupa nem um pouco com tempo. Demora bastante para que algo significativo ocorra com o protagonista. As partes mais particulares da trama, onde vemos cada personagem é interessante. Em alguns momentos parece ser juvenil, e em outros é um pouco cativante.

Em relação aos personagens, vemos pouquíssima profundidade neles. Danny cita várias vezes as peripécias que fez no monastério, mas não vemos isso em quase momento algum. Pouquíssimas mudanças ocorrem com o protagonista ao longo da temporada. Ele não parece ficar em lugar nenhum em relação a família, crime ou dever até o último episódio, onde dá pra ter uma ideia das suas visões.

Outro fator perturbador é a trilha sonora. Após ter uma tão boa como em Luke Cage, era de se imaginar que Punho de Ferro iria usar as mesmas ideias. Músicas que reflitam o momento de cada personagem ou o tom geral da situação. Na série, temos sempre uma trilha que lembra o filme Tron – O Legado.

No fim das contas, Punho de Ferro chegou só para fechar o pote. Lutas que desapontam, falta de empatia com os personagens e de profundidade faz dessa uma série menos que exemplar. Alguns fatores são decentes o bastante para manter a audiência e o público assistindo a série, mas não tem nada muito cativante. Juntando esse fatores, temos um personagem mal aproveitado, desenvolvido e cujo único propósito é fechar o time.

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