Hoje chega aos cinemas “A Cura”, dirigido por Gore Verbinski. O filme, como vimos no trailer mostrado no Super Bowl 51, demonstrou ser uma espécie de terror, mas é em sua maioria um suspense. Abordando alguns tabus científicos e sociais, o longa passa uma tensão o tempo inteiro. Fiquem sossegados, essa resenha é SEM SPOILERS.

Lockhart (Dane DeHaan, o Harry Osborn do Espetacular Homem Aranha 2) é um executivo de Wall Street muito ambicioso. Após ganhar uma promoção, o protagonista é forçado a ir buscar um dos diretores de sua corporação num centro de bem-estar nos Alpes Suíços. Ao chegar na pequena vila com o centro de tratamento localizado num antigo castelo de um barão, as coisas passam a ficar fora do comum. É justamente o fato de que tudo parece estar ótimo que passa a noção de que há algo muito estranho acontecendo. No caminho de volta do antigo sanatório, um acidente de carro faz com que o jovem vendedor se encontre nas mãos dos funcionários do centro de tratamento.

Após uma breve investigação, o xereta do protagonista começa a desvendar os mistérios dos tratamentos “milagrosos” acontecendo nos alpes.

O enredo começa a dar algumas voltas e conexões que são talvez muito complicadas. Ao final da sessão, precisamos dar um passo para trás e conectar os pontos. Mesmo assim, o final não deixa claro o que ocorreu com o centro, os pacientes ou até mesmo o protagonista, depois de tudo o que passou. Esse é provavelmente um dos pontos mais fracos do filme.

Desde o começo, o longa faz um ótimo trabalho em fazer os cenários e as ocasiões mesmo que cotidianas, estranhas. Até os Alpes parecem segurar uma tempestade invisível por trás de sua beleza. Esse é definitivamente um dos melhores pontos do filme. Sem sustos forçados, o terror vêm das cenas tanto grotescas, quanto brutais.

A fotografia e as vestimentas também têm um papel na história. Sendo uma instituição tecnológica, em cima de um velho castelo, as coisas não se encaixam como nós percebemos. Alguns médicos usam roupas de cirurgiões, outros vestem trajes semelhantes a de açougueiros e isso dá uma espécie de angústia quase em um nível subconsciente.

A Cura aborda alguns temas como ética científica, moralidade e até incesto. Algo recorrente no filme é uma música, que soa como uma canção de ninar. Um aspecto interessante foi o uso dessa melodia para associar certas coisas. Ao fazer certa descoberta, ou lembrar de certa memória, Lockhart se encontra ouvindo a melodia familiar.

A Cura é um filme de terror psicológico recheado de suspense com uma história complexa contada de forma muito sutil. O centro de tratamento acaba por ser o personagem mais assustador, sendo de certa forma um organismo ao invés de ser um simples lugar. Vale a pena dar uma conferida, mas não é nada de deixar alguém de queixo caído. Além disso, vai definitivamente mudar o seu jeito de ver spas.

Achou o filme legal? Diga o que pensa nos comentários e fica de olho na próxima crítica aqui no Nerd Break. Câmbio e desligo.