1ª temporada de Westworld

São poucas as séries que conseguem construir uma história rica em detalhes, com personagens carismáticos, boas atuações e mistérios que nos instiguem a aguardar o episódio da próxima semana. Essa foi a 1ª temporada de Westworld. Baseada no filme homônimo criado em 1973, a série foi algo que há muito tempo a televisão carecia, uma ficção científica de respeito. O roteiro, escrito por Jonathan Nolan e Lisa Joy, teve pouquíssimas falhas, entregando a dose certa de aventura, ação, ficção e teorias para os fãs confabularem.

Mas afinal, a 1ª temporada de Westworld foi boa?

Colocando o ótimo roteiro de lado, as atuações do elenco foram um dos destaques na série. Evan Rachel Wood, Anthony Hopkins, Ed Harris, Jimmi Simpson, Babett Knudsen, Thandie Newton, e tantos outros, mostraram o que uma boa história pode ser quando é interpretada por ótimos atores. Ressalto a atuação de Hopkins, que em Westworld, teve seu primeiro  protagonista em uma série de TV. Ele entregou um dos personagens (Dr. Ford) mais enigmáticos dos últimos anos, imprimindo complexidade e filosofia na forma como via a criação de robôs e a relação deles com os humanos.

A real face do ser humano também foi um fator bem explorado em Westworld. Segundo a série, a proposta do parque é que não há regras. As pessoas podem fazer o que quiserem com os robôs, mesmo que isso fira de alguma forma as regras impostas pela sociedade. Foi muito interessante ver como os visitantes do parque se ‘libertavam’ do seu eu em comunidade e traziam o seu lado mais primitivo. O que vimos na maioria das vezes foi sexo, violência e brutalidade. Acredito que essa seja justamente a principal crítica que a série se propôs a fazer.

Também pudemos ver diversas referências à clássicos do cinema e dos games. Jurassic Park, O Exterminador do Futuro e Red Dead Redemption são algumas das obras que nos remetem a grande história que Westworld tratou. Alguns dirão que a série apresentou uma história previsível, mas digo que foi justamente ao contrário. As dicas sempre estiveram ali, mas a história não se preocupou em explicar tudo ao expectador, fazendo com que ele refletisse sobre os acontecimentos e chegasse a suas próprias conclusões.

Não posso deixar de falar sobre a contribuição de J.J. Abrams como produtor executivo da série. Ele defendeu que a história devia mostrar a perspectiva dos ‘anfitriões’ e não a dos humanos, diferentemente do que foi proposto por Michael Crichton, escritor e diretor do filme Westworld – Onde Ninguém Tem Alma. Essa mudança foi muito rica, pois fez com que víssemos a história sob a ótica da ‘vítima’ e não a do agressor. Caso ainda não tenha assistido a série, acredite, faz toda a diferença.

Algumas surpresas chamam atenção na série. Rodrigo Santoro é uma delas. Ele começou meio tímido, o que para alguns se tornou alvo de crítica, mas o personagem dele teve sua importância. Assim que conseguiu maior tempo de exposição, Santoro mostrou a que veio vestindo a face de um pistoleiro caipira que acredita nas suas próprias mitologias. Outra surpresa foi a proposta narrativa impressa no parque, que tem por função entreter os visitantes de todos os níveis e interesses. Ter um ciclo narrativo para cada personagem foi um aspecto primordial (a cereja do bolo) do roteiro de Nolan e Joy.

Poucos foram os ganchos deixados para a segunda temporada, que está confirmada para o início de 2018, mas foi o suficiente para nos contentarmos com os mistérios apresentados e teorizarmos o que virá a seguir. E é justamente ai que a 1ª temporada de Westworld se torna uma série completa, fundindo ficção científica à sua própria visão sobre o mundo. Com o término dos episódios, fica a sensação de saciedade, gratidão (por que não?!) e ao mesmo tempo abstinência e ansiedade para a nova história que está por vir!