1ª temporada de The Crown

1ª temporada de The Crown – Compromisso, Tradição e Família

A 1ª temporada de The Crown, foi o mais novo e ambicioso projeto da empresa, dessa vez inaugurando uma minissérie com um elenco predominantemente britânico. A ideia de contar a história da atual monarca da casa de Windsor, Elizabeth II, foi de muito bom gosto. Os bastidores da família real britânica é algo que já foi explorado por diversos diretores e sempre chamou a atenção do público devido aos enormes mistérios, intrigas familiares e a influência que a família real gera em seus súditos. O fato de estarmos escrevendo exatamente sobre a nobreza britânica é uma consequência das políticas do reinado de Elizabeth II em ter explorado a proximidade da corte ao povo. Com alguns prejuízos e benefícios, é esse ponto que a primeira temporada de The Crown explora.

Logo após a morte de seu pai, George VI,  Elizabeth II, interpretada pela brilhante Claire Foy, é pega de surpresa ao ter de assumir uma responsabilidade enorme: ser a próxima rainha de todo o Reino Unido, sua Commonwealth e seus domínios britânicos.  Jovem, com apenas 26 anos, pela linha sucessória ela assume o título de Rainha, assumindo o nome real de Elizabeth II. Seus primeiros anos de reinado mostram a inveja familiar, as tramas dos mais antigos da corte, dificultando suas decisões e as imensas dificuldades que ela teve de enfrentar para preservar a ordem da coroa ante um mundo do pós guerra: moderno, instável e com enormes questionamentos sociais.

A série explora muito bem os membros da corte, tais como o polêmico Duque de Windsor, interpretado fielmente por Alex Jennings (Bridget Jones 2004  e The Queen 2006) que abdicou o trono para se casar com uma divorciada – tema bastante explorado na série , a não tão conhecida princesa Margaret, interpretada por Vanessa Kirby (Everest 2015), irmã de Elizabeth II, que é basicamente o oposto da irmã; O grande e honorável primeiro ministro Sir Winston Churchill em seu segundo mandato no pós guerra, interpretado brilhantemente pelo veterano John Lithgow (Interstellar 2014), figura que serve não só como tutor da Rainha em seus primeiros anos, mas na série é retratado também como o cansado ministro que representa a velha ordem e a coragem em manter a união de um Império que perde as suas colônias em um mundo da guerra fria.

The Crown além de ter ricos personagens, ateve-se muito bem aos detalhes.  A ambientação foi muito bem explorada, mostrando a Inglaterra da década de 50, as demais colônias da Commonwealth que lutam por independência e a vida privada da época. O figurino, além dos demais maneirismos e muito, mas muito cigarro são figuras presentes na série. A produção é uma forte candidata ao Grammy do ano que vem.

Em termos gerais a 1ª temporada de The Crown possui episódios bastante puxados, girando em torno de 50 minutos a uma hora cada episódio. Cada um retrata um cenário ou situação em que a Rainha e sua família tem que lidar, o que geralmente é contado de forma bastante rica e atenta aos detalhes. Os locais são bastante impressionantes, desde os suntuosos ambientes do palácio de Buckingham, as cinzentas ruas e pubs de Londres e os campos e os highlands ingleses e escoceses, prendendo bastante a atenção de quem está assistindo. Em si não é uma série cansativa, as demais intrigas e excelente produção fazem valer a pena assistir a história de uma monarca ainda na ativa. Além de ser uma análise realista da monarquia real de Windsor, enaltece uma instituição extremamente importante nos dias atuais, que preserva a manutenção de uma sociedade estável, seus princípios e nobres valores.