Grim Fandango
“Buenos dias señor Flores – Grim Fandango”

Existem muitos games que deixam uma lembrança muito boa em nossas memórias. Aparentemente essa fórmula foi atingida com maestria pela maioria dos jogos que a Lucas Arts produziu, em especial, Grim Fandango, dirigido pelo Tarantino dos Games: Tim Schaefer, produtor de títulos como Full Throttle, Psychonauts e Brutal Legend, todos com uma pitada de Tim Burton e um conhecimento vasto em cinema.

Desenvolvido em 1998 e agora com uma versão remasterizada em HD, Grim Fandango é considerado por muitos uma das melhores aventuras “point-and-click”, gênero que infelizmente desapareceu do mapa. A história se passa no mundo dos mortos, onde todos os personagens são caveiras estilizadas à cultura mexicana de celebração do Dia de Los Muertos (o nosso finados).

Você é Manuel “Manny” Calavera, um gerente de contas que recepciona pessoas que acabam de chegar no mundo dos mortos, o oitavo submundo, verificando se eles fizeram boas ações em sua vida passada. Os que se comportaram bem, poderão ter a chance de ir para o outro lado, ou a terra do descanso eterno. O problema é que Manny deixa de receber os melhores clientes e recebe apenas pessoas que não foram lá grandes “santos”. Ao investigar a razão ele acaba descobrindo uma rede de corrupção na terra dos mortos, é ai que aventura começa.

Dividido em quatro anos, você acompanha Manny em busca de pistas, objetos e personagens que podem te direcionar a novos ambientes para resolver o grande mistério.

O game tem grandes diferenciais:

  • Quanto ao desenvolvimento dos personagens, todos possuem uma história ou uma relação direta ou indireta com o protagonista, além de personalidades bem características.
  • Os ambientes que misturam cultura mexicana, arte decô e filmes noire, sintetizados através de tecnologias exclusivas da Lucas Arts da época – que serviram de tripé para o futuro Jedi Knight: Dark Forces II – foram muito bem pesquisados por Tim Schafer, que insistiu que os artistas e designers do game assistissem a filmes da década de 40 para se inspirarem.

 

  • trilha sonora de tirar o folego, conduzida por Peter McConnel, é de um bom gosto exclusivo. Misturando jazz, big band, bepob e musicas tradicionais mexicanas, Schaefer fez questão de investir mais de 50 mil dólares na trilha sonora, o que deixou os shareholders da Lucas Arts enfurecidos. (Deixamos pra você a trilha sonora completa abaixo)

  • Um roteiro bem feito e de humor refinado, com uma história que não cansa mas encanta o jogador.
  • E por fim uma atenção quanto a dublagem brasileira, que, na minha opinião, é imensamente melhor que a original.

A versão remasterizada, disponível para PS4, PC, Mac e Linux, além de gráficos refinados, trás de volta toda a essência do game original, além de comentários dos desenvolvedores do game, incluindo Tim Schaefer, que narram cada ambiente trazendo detalhes da época de produção, contendo curiosidades exclusivas.

Vale a pena jogar de novo?

Grim Fandango é de fato uma experiência incrível para qualquer gamer que se preze.  Foi o último grande clássico da Lucas Arts e jogá-lo é meio que uma tarefa a ser colocada no bucket list. A quantidade de prêmios que o game ganhou, além de ter sido indicado como jogo a ser preservado no Smithsonian, valem a tarefa divertida. O Nerd Break Recomenda.