MAFIA III
“MAFIA III – Dormindo com os peixes”

Corrupção no governo, a crise do Vietnã, o movimento dos panteras negras e os jovens liberais lutando pelos seus direitos. Esse é o cenário que faz parte de MAFIA III, o mais recente título da 2K Games e Take Two Interactive da famosa franquia que quebrou paradigmas de storytelling e sandbox.

Quando falamos de MAFIA temos que deixar claro aos novatos da série que não estamos falando de um jogo comparável a GTA. Desde o primeiro título, MAFIA I, a priorização de enredos fortes, roteiros bem estruturados e linearidade do single player em conjunto com o período histórico retratado de forma acurada, digno de uma atenção de um filme de Coppola, são pontos nevrálgicos da série. Como todo bom game, o mesmo tenta acompanhar novas ideias e agradar novas audiências, entretanto jogamos MAFIA III e podemos dizer que o título é um dos mais amenos da trilogia (crítica vinda do autor deste artigo que jogou desde o primeiro título da série… repetidas vezes… até riscar o CD).

O jogo em si não peca em contextualizar o período de forma precisa: ótimas músicas, carros, moda e arquiteturas, componentes que fazem de New Bordeaux – cidade fictícia inspirada em New Orleans – uma experiência única da agitada década de 70 nos EUA. Muitas vezes é fácil ficar perdido, imerso naquele universo histórico, andando pelas ruas carnavalescas do Mardi Gras e das históricas casas coloridas tradicionais de madeira.

O game tem uma narrativa bem estruturada e os personagens são bem desenvolvidos, o protagonista Lincoln Clay que o diga. Entretanto nem tudo são flores. O jogo começa a enjoar e ficar repetitivo ao progredirmos na história. Aparentemente MAFIA III parece  cometer um erro clássico presente em games sandboxes recentes: Um ambiente gigantesco onde as missões são realizadas em um micro espaço repetitivo, seguindo um roteiro linear ao estilo de “mate o alvo específico”, “siga aquele carro” ou “exploda tal lugar e fuja” – Até o sublime game Metal Gear Solid: Phantom Pain caiu nesse erro. Mesmo com inovações como a conquista de distritos acabam por cair nessa formula repetitiva de missões, o que acaba por ser frustrante, isso sem contar com os problemas técnicos.

A era dos grandes gângsteres é passado distante em MAFIA III.

O rico design de New Bordeaux e a história acabam sendo ofuscadas por inúmeros bugs e gráficos que poderiam ser comparáveis a um game de PS3 e XBOX 360. Para quem jogou os primeiros títulos da série perceberá que muitas coisas inovadoras de MAFIA I e II foram esquecidas ou basicamente removidas. Não há como personalizar o protagonista, a Inteligência artificial do game é precária e a cidade não é muito orgânica, sem muitas interações. Depois de um tempo não há muito o que fazer na cidade, não há collectibles ou replayability, erro que praticamente não foi aprendido do jogo anterior, MAFIA II.

Diante de tantas críticas há pontos positivos, MAFIA III manteve a tradição de uma ótima história, personagens muito bem desenvolvidos e uma cidade rica a ser explorada, entretanto por se falar da franquia MAFIA, um game que é absurdamente aguardado pelos fãs , poderia ter sido tratado com maior carinho pelos desenvolvedores. Recomendamos que o preço caia para você adquirir o título para PS4, XBOX One e PC.

nota-2