O Lar das Crianças Peculiares entrega uma aventura infantil e pouco desenvolvida

Depois de quase estrelar o remake de Homem-Aranha, Asa Butterfield (dos filmes “A Invenção de Hugo Cabret” e “Ender’s Game”) retorna as telonas como protagonista da adaptação do livro de Ransom Riggs, O Lar das Crianças Peculiares (ou na tradução literal “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”). O longa apresenta a história de um menino que vive uma vida difícil, com pais ausentes, e acredita nas histórias que seu avô contava sobre um lugar onde há crianças com certos dons.

A história em si é bastante interessante. Apesar de num primeiro momento lembrar uma escola famosa por abrigar jovens com mutações (X-Men), o filme se difere ao apresentar um tom mais de fantasia, com uma espécie de viagem no tempo e se referindo as crianças com poderes como “peculiares”. Elas vivem em lares escondidos pelo mundo (e pelo tempo) para se proteger de outros peculiares que almejam a imortalidade.

Quando soube que Tim Burton dirigiria essa adaptação, esperei ver uma grande fantasia, repleta de momentos grandiosos onde as peculiaridades de cada personagem seriam exploradas. Ao invés disso, o que vi foram cenas onde é possível perceber que foram gravadas em frente a um Chroma Key (tela verde que é usada para aplicação de efeitos visuais) e que o cenário realmente não existia. Foram poucas as partes onde víamos o potencial visual que o diretor possui e os poderes dos personagens sendo apresentados.

A atuação do elenco não é ruim, mas não chega a ser um diferencial. Grande parte das crianças não gerou muita empatia. O próprio protagonista não nos faz sentir envolvidos na história, apresentando um garoto sem carisma e que tem uma motivação fraca para ir atrás de seus objetivos. Não gosto muito da atriz Eva Green, mas ela fez uma atuação convincente e caricata, lembrando muito a forma de agir de outros personagens famosos que Tim Burton dirigiu ao longo de sua carreira. Já Samuel L. Jackson entrega um vilão intrigante, mas que, por falta de tempo, não é bem desenvolvido e fica a desejar.

A sensação que fica é que a história é algo muito maior do que o filme conseguiu mostrar. Ela é apresentada de forma rápida, os personagens são pouco explorados e/ou desenvolvidos e algumas pontas ficam soltas. Diferente de outros filmes infanto-juvenis, O Lar das Crianças Peculiares não chama tanta atenção. Ainda sim, é um filme com uma proposta interessante e que ainda pode ser bastante explorado, já que o autor do livro escreveu outras 2 continuações.

Fiquei com uma impressão negativa, mas talvez seja porque fui assistir com uma expectativa muito alta por se tratar de um filme do Tim Burton. Resta agora acompanhar como o público recepcionará o filme e se a 20th Century Fox seguirá com a produção dessas continuações.

E você, gostou de O Lar das Crianças Peculiares? Achou que algum ponto ficou a desejar? Se houver uma continuação, o que gostaria de ver? Siga o Nerd Break para acompanhar todas as novidades do mundo do cinema, das séries e quadrinhos.