Matt Damon e Paul Greengrass retomam a parceria em um novo Bourne… bom, pelo que foi visto, não tão novo assim.

O filme segue a mesma receita de bolo dos anteriores, Bourne vive sua vida quando alguém resolve aparecer e revelar algo sobre seu passado misterioso e isso o faz novamente seguir as pistas até a CIA em busca de respostas e vingança, a Agência contra-ataca contratando assassinos tão perigosos quanto Bourne. Essa foi a história de todos da primeira trilogia e com esse não é diferente. Nada de muito inovador até aqui, a trama não se baseia nem nos livros originais escritos por Robert Ludlum, nem os novos de Van Lustbader.

Essa repetição também vale também para o estilo de filmagem, a ação é feita com a “câmera na mão”, as lutas são bem coreografadas e realistas, as perseguições de carro (obrigatórias desde o primeiro filme) também estão presentes, mais exageradas do que nunca.Jason Bourne

Apesar das críticas, o filme é bom, mas se tratando da franquia que fez o maior espião do mundo rever seus conceitos, deixa um pouco a desejar. Senti falta de uma maior exploração do tema “privacidade e proteção contra terrorismo”, uma trama interessante, pois se trata do principal assunto hoje discutido nos Estados Unidos, mas no filme não acrescenta em absolutamente em nada. A busca de Bourne por esclarecimento sobre mais um ponto obscuro em seu passado nada tem a ver com a criação de um “Facebook” para espionar as pessoas.

Quanto aos pontos fortes, a personagem de Alicia Vikander é o melhor do filme. Sua atuação fria lembra a de seus antecessores como Joan Allen no papel de Pamela Landy, incumbida da mesma função de caçar Bourne, porém com uma relevância maior, pois ela possui seus próprios objetivos, como dar uma nova cara para a Agência, não ficando muito claro se é para o bem ou para o mal. Sua ligação com Robert Dewey (Tomy Lee Jones), outro chefão da CIA e Bourne é excelente. Gostaria que tivessem desenvolvido mais essa relação, ao invés de encher linguiça com a rede social.

Se você é fã de Bourne, recomendo conferir nos cinemas, mas se apenas sente saudade do personagem, reveja a trilogia original no conforto do seu sofá, escute Moby e aguarde até o filme chegar na TV aberta, ou Netflix.

Esse post foi escrito ao som de Extreme Ways, Moby. Ohhhh babe, then it fell apart.