Chef’s Table, uma série pra quem aprecia a arte da culinária!

Quem ai gosta de séries de culinária? Hoje trago a vocês o post de um querido leitor e amigo, que nos dá uma dica de série imperdível na Netflix, a 2ª temporada de Chef’s Table. Se deliciem com texto de Thiago Neves, muito obrigado meu querido! <3

Em 1911, o crítico de cinema Ricciotto Canudo estabeleceu por meio do “Manifeste des Sept Arts”, as 7 formas de arte existentes no mundo: música, pintura, escultura, arquitetura, poesia e dança. A gastronomia/culinária sempre foi visto como uma ciência, muito embora haja de se reconhecer que alguns chefs ao redor do mundo podem muito bem ser alocados na primeira opção.

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A 2ª temporada de Chef’s Table já está disponível na Netflix.

Esse ano a Netflix trouxe 2ª temporada de Chef’s Table (Mesa do Chefe – Tradução Livre), estrelada por seis chefs de cozinhas renomados pelo mundo.

A 1ª temporada possuía a mesma premissa da nova: apresentar cada chef, seu dia-a-dia, seus desafios e buscava entender o que a culinária representava para cada um deles. Porém, chegava muitas vezes a ponto de endeusar essas estrelas. A nova temporada, por sua vez, busca mostrar o lado mais humano, mais frágil, afinal, no fim do dia esses monstros da culinária são “gente como a gente”, e não vivem apenas de confit de pato ou reduções de alimentos, também apreciam um junk food.

Lista de episódios:

1 – Grant Achatz, Alinea, (United States)

2 – Alex Atala, Dom, (Brazil)

3 – Dominique Crenn, Atelier Crenn (United States)

4 – Enrique Olvera, Pujol (Mexico)

5 – Ana Ros, Hiša Franko (Slovenia)

6 – Gaggan Anand, Gaggan (Thailand)

Cada episódios apresenta um chef diferente, começando por Grant Achatz dono do Alinea (Chicago, EUA), talvez o mais estrela dos apresentados, seu restaurante que mais se assemelha a uma galeria de arte moderna misturado com show de mágica e nos conta sua fantástica história de superação após descobrir um câncer na língua que o fez perder o paladar.

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Grant Achatz na 2ª temporada de Chef’s Table.

Seguido pelo nosso querido brasileiro Alex Atala, conhecido pelo D.O.M. (São Paulo, Brasil) e por seu fascínio pela Amazonia e sua história de luta para elevar a gastronomia e ingredientes brasileiros ao mesmo patamar que a dos franceses e italianos, sua história é uma das mais emocionantes em termos auto-descobrimento, porém insossa em termos de comida, digamos que Atala tem humildade ao ostentar seus pratos.

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Alex Atala na 2ª temporada de Chef’s Table.

Nessa mesma linha humilde do Atala, temos Enrique Olvera, chef do Pujol (Mexico) e Gaggan Anand do Gaggan (Thailand), que seguem uma história bem semelhante a do brasileiro, ambos vieram de famílias simples, lutaram para serem reconhecidos internacionalmente e possuem o mesmo objetivo de trabalhar com ingredientes típicos de suas regiões e fazer com que se perca o preconceito relacionado a certos pratos. Da mesma forma como o caviar é apreciado como iguaria, o mesmo poderia ser dito do tucupí brasileiro, do mole mexicano e curry indiano.

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Gaggan Anand na 2ª temporada de Chef’s Table.

Sobre as mulheres da turma, Dominique Crenn do Atelier Crenn (São Francisco, EUA) consagrada por ser a primeira mulher nos Estados Unidos a ganhar 2 estrelas no Guia Michelin, conta seu como a sua relação com o pai foi a chave para o sucesso de seu restaurante, um sonho que vinha desde pequena. E Ana Ros do Hiša Franko (Kobarid, Eslovênia), sendo o contraponto perfeito de Dominique, pois triunfou em um país isolado do restante do mundo, onde nem se quer existe o Guia, sem conhecer a gastronomia européia ou nunca ter frequentado um curso de culinária e sem o apoio da família, que demorou para aprovar sua vocação.

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Dominique Crenn na 2ª temporada de Chef’s Table.

Vale mencionar que a beleza de cada cena é de dar água na boca, dos closeup dos pratos às belas paisagens por onde ocorreram as filmagens (menção honrosa a Eslovênia, com sorte, destino das próximas férias).

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Chef’s Table

A Netflix conseguiu trazer e traduzir com maestria, para o grande público, um pouco dessa incrível experiência da requintada gastronomia praticada por esses chefs. Feitos com uma técnica impecável, 18h por dia, 365 dias no ano de uma dedicação quase fanática, com resultados únicos no mundo. Esses chef’s não cozinham, muitas vezes se utilizam de pinceis, eles esculpem e escrevem poesia e por isso merecem estar no manifesto de Canudo como uma forma de arte.  Afinal, apenas assim para justificar um jantar de mais de 1500 reais.

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Bon apettit!