Chegou aos cinemas na quinta-feira passada o novo filme do James Bond, 007: Contra Spectre. Vem conferir a nossa crítica!

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Mas afinal, o filme é bom?

Contra Spectre é o quarto filme da franquia com Daniel Craig no papel do espião mais famoso de todos os tempos. Sua versão traz um James Bond bruto, com mais força e massa muscular, como se acompanhasse a moda fitness de hoje em dia. Mesmo sendo um brucutu, Craig entrega a mesma elegância e sensualidade que pede o papel, porém, sua frieza e inexpressividade o deixam longe da lista dos melhores 007.

A produção parece ter sido feita por fãs por conta da enxurrada de fan services e clichês da franquia. Carros possantes, belas mulheres, ternos finos e caros, tecnologia de ponta, nada fica de fora. Todos os elementos conhecidos do universo do espião estão no filme. Contar uma história de James Bond parece ter ficado fácil, basta seguir uma fórmula. É essa a sensação do espectador ao sair da sessão.

Christoph Waltz dá vida a um velho conhecido da franquia, gerando a expectativa de que veremos um grande vilão, semelhante ao vivido por Javier Bardem, mas não é isso o que acontece. Falta tempo de filme para o desenvolvimento do personagem. A motivação do antagonista por poder, controle e dominação é positiva, mas com a adição de uma questão familiar que conecta Bond ao personagem de Waltz, o vilão vai por água abaixo. A impressão que dá é de que tudo o que foi planejado e feito é por conta de uma birra de infância. O grande vilão se transforma num menino rancoroso que busca vingança.

Ainda sobre antagonistas, Dave Bautista, o Drax de Guardiões da Galáxia, tem uma passagem inexpressiva no filme. Seu personagem é introduzido num contexto que nos faz pensar que veríamos um vilão caricato com os de antigamente, mas novamente a expectativa vai por água abaixo. O personagem só serve para sair na porrada com James Bond, o que é completamente esdruxulo por conta da diferença de tamanho dos dois.

Léa Seydoux vive Madeleine Swann, a Bond Girl da vez. Filha de um inimigo, ela se une a Bond para combater a organização Spectre e vingar seu pai. Em teoria a ideia parece boa, mas com  a falta de um plano os dois passam uma hora viajando e coletando pistas, sem ter clareza de como pretendem derrotar o vilão, o que gera um ponto negativo para o filme.  Madeleine é uma espécie de engrenagem que move a trama. A bela derrete o coração de pedra de Craig com seu figurino sexy, sem contar seu olhar profundo e provocante como em Azul é a Cor Mais Quente. A carga dramática da personagem acaba contagiando o protagonista, o que é um ponto positivo para a história. O frio espião passa a ter sentimentos, o que te faz torcer pelo casal, ainda mais depois de tantas perdas que Bond sofreu em todos esses anos.

A premissa de 007: Contra Spectre é de fácil associação para o publico que gosta desse gênero, e logo se recorda do ultimo Missão Impossível. É inevitável a comparação. Trama politica, agente agindo de forma ilegal, cenas de ação impossível, os elementos são bem parecidos, porém, destaco a melhor execução para a história do filme de Tom Cruise que te prende e faz perder o folego, enquanto Bond te faz bocejar em alguns momentos. Um ponto positivo para Spectre vai para o  elenco de apoio que cumpre seu papel, com destaque para o personagem tecnológico Q, vivido por Ben Whishaw.

Contra Spectre é o quarto filme com Craig e se conecta aos seus antecessores, amarrando as quatro histórias. O desfecho tem um tom de despedida do personagem, uma vez que o ator já declarou que não pretende voltar ao papel. Aos fãs da franquia e de cinema, o filme vale a pipoca, mas não vão esperando uma grande história. Agora nos resta esperar o novo 007 para ver como os produtores irão reinventar o espião com um novo ator assumindo o terno.

Pontos positivos: Elementos clássicos e fotografia.